Doenças e a Epigenética do Tratamento Medicamentoso na População Negra, Indígena e Quilombola; Violência Silenciosa: A naturalização do Racismo Estrutural; As Benzedeiras de São Miguel do Oeste
- Tipo da Atividade: Formação
- Data: 22/11/2024
- Participantes: 81
- Parceiros: AFRODESMO, UNOESC-SMO, IFSC-SMO, NEABI
- Local: Instituto Federal de Santa Catarina, campus de São Miguel do Oeste – SC
A ação realizada no dia dia 22 de novembro de 2024, como continuidade das ações da Semana da Consciência Negra, ocorreu no Auditório do IFSC –SMO.
Com parceria da UNOESC, do IFSC, do NEABI.
Participou dessa ação de formação um público diverso, formado principalmente por estudantes da UNOESC – SMO e do IFSC – SMO.
Foram disponibilizadas as seguintes formações:
– “Doenças e a Epigenética do Tratamento Medicamentoso na População Negra, Indígena e Quilombola”, apresentada pelo Prof. Dr Everton Boff
Abordou as disparidades na resposta farmacológica e nos desfechos de saúde entre diferentes grupos étnico-raciais, destacando o papel da epigenética como fator modulador central. Foi enfatizado que o histórico de marginalização, exclusão social e o racismo estrutural não apenas agravam a exposição a doenças crônicas como hipertensão, diabetes e doenças autoimunes, mas também influenciam a eficácia e a segurança dos medicamentos utilizados nesses grupos. A palestra ressaltou a importância da ancestralidade genética e dos marcadores epigenéticos específicos na modulação da expressão gênica frente ao uso de fármacos, destacando que o mesmo tratamento pode ter efeitos distintos entre populações. Também foi abordada a carência de pesquisas clínicas que incluam esses grupos de forma representativa, gerando lacunas terapêuticas e riscos de iatrogenia. Por fim, defendeu-se a incorporação de políticas públicas que considerem determinantes sociais, genômicos e epigenéticos para uma farmacoterapia mais equitativa, segura e eficaz, com enfoque em justiça social e saúde étnico-racial.
– “Violência Silenciosa: A naturalização do Racismo Estrutural” apresentados pelos estudantes Kethleen Greski dos Reis e Eduardo Rocha.
O artigo explora a natureza do racismo estrutural e suas implicações na sociedade, com foco na região do Extremo Oeste de Santa Catarina, com base nas percepções e experiências da comunidade afro-descendente do território. Trouxe um resumo dos acontecimentos históricos que geraram políticas e leis que criminalizaram e excluíram a população negra e a sua cultura no Brasil, criando um processo de naturalização dessas estruturas excludentes que limitam a liberdade e acesso da população não-branca a seus direitos básicos, bem como isso se reflete nas relações sociais entre pessoas brancas e pessoas não-brancas. Apontando como solução a prática da educação antirracista nos diferentes âmbitos da sociedade, a necessidade de interromper a reprodução de estereótipos raciais nos meios de comunicação e criação de políticas públicas inclusivas e afirmativas nos diversos setores, bem como políticas de valorização cultural para essa população.
– “As Benzedeiras de São Miguel do Oeste” apresentada pela Profª. Msc. Taíza Gabriella Zanatta Crestani
Abordou o universo do benzimento à luz do contexto histórico, social e cultural do extremo oeste catarinense. Na ocasião, foram destacados trechos de entrevistas individuais efetuadas com mulheres que se reconhecem e atuam como benzedeiras. Mulheres que abrem as portas de suas casas e fazem uso de seu conhecimento sobre as propriedades medicinais, das rezas e das tradições para promover o bem-estar da população. Estudar a complexidade dos aspectos envolvidos no ato de benzer contribui para se pensar estratégias de cuidado baseadas na horizontalidade. Além disso, contribui para a valorização do protagonismo feminino nesse território.
Entre cada apresentação, houve espaço para perguntas e discussões sobre os temas, o que enriqueceu o entendimento do público sobre as questões raciais e como isso impactou e impacta culturalmente nossa sociedade.
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