Formações em políticas públicas e direitos culturais.
Desafio cultural e psicológico no território migueloestino; Ser o que não se pode ser: a violência contra corpos LGBTQIA+; Desafios do negro estrangeiro no Brasil e sua cultura (Caravana M – Desafios das políticas públicas para afirmar a diversidade étnico cultural no território de São Miguel do oeste e Santa Catarina)
- Tipo da Atividade: Formação
- Data: 20/11/2024
- Participantes: 119
- Parceiros: AFRODESMO, Paróquia São Miguel Arcanjo, Coletivo ArtEspaço, ACURA, NEABI e CDH – IFSC/SMO, Projeto Leituras Negras, Secretaria de Cultura, Conselho de Cultura, UNOESC/SMO, Curso de Psicologia, MMTU, Comunidade LGBTQIAPN+, PJMP e PJR, ACASMO
- Local: Salão Paroquial da Paroquia São Miguel Arcanjo/ Praça Walnir Bottaro Daniel – São Miguel do Oeste – SC
A ação foi realizada no dia 20 de novembro de 2024 promovendo um dia dedicado à afirmação da diversidade étnico-cultural e à promoção de políticas públicas inclusivas.
Participou dessa ação de caravana um público diverso, formado por artistas e fazedores de cultura de vários segmentos, representantes de coletivos e comunidade em geral.
A ação foi realizada no dia 20 de novembro de 2024 promovendo um dia dedicado à afirmação da diversidade étnico-cultural e à promoção de políticas públicas inclusivas.
Participou dessa ação de caravana um público diverso, formado por artistas e fazedores de cultura de vários segmentos, representantes de coletivos e comunidade em geral.
Foi possível identificar representantes dos seguintes coletivos: Coletivo ArtEspaço, ACURA, NEABI e CDH – IFSC/SMO, Projeto Leituras Negras, Secretaria de Cultura, Conselho Municipal de Cultura, UNOESC, Curso de Psicologia, MMTU, Equipe Paroquial, Comunidade LGBTQIAPN+, PJMP e PJR.
Os segmentos culturais representados foram: cultura afro brasileira, música, artesanato, audiovisual, cultura popular, literatura, artes visuais, teatro e dança.
As formações foram realizadas através de roda de conversa, com abertura para participações e questionamentos.
– O primeiro tema, Formações em políticas públicas e direitos culturais foi conduzido pela Profa Drª Daniela Zilio, que trouxe uma fundamentação sobre a cultura enquanto direito constitucional, garantida internacionalmente pelo Pacto Internacional de Direitos e como esse entendimento deve refletir sobre diferentes manifestações culturais, principalmente as invizibilizadas, discriminadas e desassistidas de forma que reparações históricas através de leis precisam ser empregadas para garantir a cultura como direito a essas populações, com ênfase na conquista do dia da Consciência Negra como dia basilar de rememoração e garantia de espaço para manifestações culturais antes discriminadas.
– O segundo tema, Desafio cultural e psicológico no território migueloestino, conduzido pela Profa Mª Lisandra Antunes de Oliveira, trouxe uma discussão sobre os aspectos psicológicos de momentos de mudança e sobre as relações da sociedade, abordando questões como a necessidade de mudanças coletivas para a criação de novas possibilidades de vida, responsabilização do sofrimento humano, para o acesso a novas linguagens nos territórios, ocupar espaços e produzir subjetividades com base nas nossas diferenças e garantindo equidade. Enfatizou sobre a diferença entre viver e sobreviver e explanou sobre atos de cuidado para uma socialização mais saudável.
– O terceiro tema, Ser o que não se pode ser: a violência contra corpos LGBTQIA+, apresentado pelo psicólogo André Marcos Spiecker Gasparin, trouxe aspectos das diferentes violências sofridas pela comunidade LGBTQIAPN+ traçando paralelos com processos iguais ou similares que acontecem com a população negra, como a ausência de registros e dados sobre essas violências, falta de representatividade como violência institucional e estrutural, o medo dessas populações em relação aos aparatos da sociedade, fragmentação da identidade. Falou sobre a importância dos processos de aceitação do indivíduo como ele mesmo, envolvendo seus questionamentos e ressignificação de sua identidade e atuação na sociedade, de revelação do indivíduo para com a sociedade, seus grupos de apoio, onde pode compartilhar experiências e identidade de vida, em espaços seguros e de confiança onde pode vencer o medo. A necessidade de ocupar novos espaços (traçando novamente um paralelo com o espaço criado pelo feriado da Consciencia Negra) que gera novos processos de medo, aceitação e revelação, na construção de novos processos sociais e culturais.
– O quarto tema, Desafios do negro estrangeiro no Brasil e sua cultura, trazido por Nahum Saint Julien, imigrante haitiano no Brasil, trouxe a reflexão sobre o processo de apagamento histórico das culturas não-brancas no Brasil, como por exemplo o Haiti e sua revolução liderada por povos escravizados, que fez do país a primeira república negra a ser instituída no mundo, um marco importante de vitória contra um processo de colonização. Traçou paralelos da questão migratória atual com os processos de colonização, onde os atuais migrantes são escolhidos pra trabalhar segundo suas características físicas, como força e colocados para efetuar os trabalhos mais difíceis e de menor remuneração, desconsiderando seus conhecimentos e formações, tendo muitas vezes o espaço físico que podem ocupar, delimitado dentro das empresas. O mesmo se reflete quanto à cultura dessas populações migrantes que não encontra lugar para se manifestar. Ressaltou que a forma de resistência encontrada por ele foi estudar e tentar se posicionar, ocupando espaços e que o feriado do dia 20 de novembro, deve ser dia de luta dos migrantes negros por melhor reconhecimento na sociedade e não de descanso.
Entre cada manifestação e tema, foram gerados muitos questionamentos e discussões breves de modo que ficou bastante claro a importância da inclusão e acolhimento dessas populações que são sub-representadas nos espaços de poder. As experiências compartilhadas também auxiliaram a uma nova perspectiva sobre a dificuldade e o sofrimento dessas populações e como o seu reconhecimento social e cultural é parte importante no próprio processo de reconhecimento desses indivíduos enquanto parte da sociedade, como detentores de direitos.
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